Olá, meus amigos! Bem vindos ao Living in a Small World!

Este blog está passando por uma transformação! Após servir como canal de comunicação entre eu e quem se interessou em saber o que se passava comigo no Canadá e nos EUA no início deste ano, uma nova aventura está por vir! Através desse blog, vou narrar as minhas aventuras pelo Velho Mundo que se iniciarão em setembro! Além disso, vou postar periodicamente fatos e notícias que aconteceram ao redor do mundo, bem como curiosidades e bizarrises a respeito dos mais diversos povos e países. Afinal, vivemos em um mundo pequeno!

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domingo, 24 de outubro de 2010

ONU pede explicações aos EUA após WikiLeaks

23/10/2010 • 19:20Fonte: folhaonline

Após a ONU e a Anistia Internacional pedirem aos EUA explicações sobre os casos de tortura e mortes de civis durante a Guerra do Iraque denunciadas pelo WikiLeaks, o premiê iraquiano Nouri al Maliki classificou a divulgação dos dados secretos de "sabotagem" e disse que as acusações de que seu governo teria sido complacente com os abusos são parte de uma campanha política contra ele. 

Em meio ao vácuo político após a retirada das tropas de combate americanas e a ausência de um governo há meses, al Maliki acusou seus opositores de querer utilizar os documentos miliares americanos divulgados na sexta-feira pelo site WikiLeaks para acusá-lo de cometer os abusos. 

"Há objetivos políticos por trás dessa campanha midiática, e alguns buscam utilizar esses documentos contra os líderes nacionais, particularmente o primeiro-ministro", afirmou o gabinete do chefe de governo em um comunicado. 

As informações publicadas pelo WikiLeaks referem-se a casos de violência, torturas, estupros e inclusive assassinatos cometidos por policiais e militares iraquianos contra prisioneiros e sobre os quais o Exército americano optou por negligenciar. 

Segundo a constituição iraquiana, o primeiro-ministro também é comandante-em-chefe das Forças Armadas. 

Além disso, de acordo com os documentos citados pela Al Jazeera, al Maliki teve vínculos com "esquadrões da morte". 

Os opositores do primeiro-ministro o acusam de ter criado no seio das forças de segurança, após sua nomeação em 2006 em pleno conflito sectário, unidades responsáveis por fazer o trabalho sujo, principalmente assassinatos. 

"Em relação aos assassinatos, às prisões e torturas, confirmamos que o primeiro-ministro, que é comandante das Forças Armadas, tem a autoridade sobre todas a forças e que estas cumprem seu dever de deter e castigar conforme as ordens emitidas pela Justiça, e não segundo critérios religiosos ou partidários, como alguns gostam de dizer", respondeu o escritório do chefe de governo. 


ONU 
Mais cedo o relator especial da ONU sobre a tortura, Manfred Nowak, e a Anistia Internacional, instaram neste sábado os Estados Unidos a investigar os casos de tortura revelados nos documentos militares americanos publicados na sexta-feira pelo site WikiLeaks. 

"A administração (do presidente americano Barack) Obama tem a obrigação, quando surgem acusações sérias de tortura contra qualquer funcionário americano, de investigar e tomar as consequências. Essas pessoas deveriam ser processadas", afirmou o relator à rádio BBC. 

"Eu teria esperado que (este tipo de investigação) fosse iniciada há tempos, porque o presidente Obama chegou ao poder prometendo a mudança (...) O presidente Obama tem a obrigação de cuidar dos casos passados. É uma obrigação investigar", continuou o relator. 

Nowak reconheceu, entretanto, que poderia ser apenas uma investigação americana, já que os Estados Unidos não reconhecem o Tribunal Penal Internacional (TPI). 

A Anistia Internacional também pediu a Washington que investigue o quanto as autoridades sabiam sobre os maus tratos a presos no Iraque. 

A organização de defesa dos direitos humanos com sede em Londres lembrou em um comunicado que, como todos os governos, os Estados Unidos "têm uma obrigação sob o direito internacional de garantir que suas próprias forças não utilizem a tortura e que as pessoas que estão detidas pelas forças americanas não sejam entregues a outras autoridades que possam torturá-las". 

"Os Estados Unidos descumpriram esta obrigação no Iraque, apesar do grande volume de provas disponíveis de muitos locais, que mostram que as forças de segurança iraquianas utilizam a tortura extensivamente e foi permitido que o fizessem impunemente", disse Malcolm Smart, diretor da Anistia para o Oriente Médio. 



DEFESA 
Já o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, defendeu neste sábado a divulgação de cerca de 400 mil documentos secretos sobre a guerra no Iraque. 

Em entrevista coletiva, Assange afirmou que foram tomados todos os cuidados para que não haja risco para nenhum soldado envolvido nas operações no Iraque, relatou o correspondente da Folha em Londres, Vaguinaldo Marinheiro. 
O governo americano voltou a criticar o site. Disse que os documentos não trazem novidades e que apenas podem gerar um sentimento de vingança, colocando em risco as tropas ocidentais que continuam no país. 

"Os ataques à verdade começam antes do início de uma guerra e continuam mesmo depois que ela acaba", afirmou Assange. 

Segundo ele, a divulgação dos documentos minimizam esses ataques à verdade. 

Nos papéis colocados à disposição no site há vários relatos de mortes e torturas cometidas pela polícia e pela Guarda Nacional Iraquianas contra seus próprios cidadãos. 

Apesar de presenciar as atrocidades, soldados americanos apenas relatavam que não havia nada mais a investigar. Em alguns casos, eram comunicadas as autoridades iraquianas, muitas vezes as mesmas responsáveis pelas torturas. 

"Isso transforma as tropas em cúmplices", afirmou Phil Shiner, da ONG Public Interest Lawyers, também presente à coletiva. 

Os documentos revelam também 15 mil mortes de civis a mais que os computados até agora por Organizações Não Governamentais que acompanham a guerra. 

Acredita-se que 66 mil civis foram mortos desde a invasão do país, em 2003. 

O governo dos EUA diz que não há números sobre mortes de civis. "Os documentos trazem não apenas números, mas detalhes dos mortos. Isso é muito importante", disse John Sloboda, da organização Iraq Body Count. 

A divulgação dos documentos é considerada o maior vazamento desse tipo de documento da história. 

Em julho, o WikiLeaks já havia divulgado 91 mil documentos secretos sobre a guerra do Afeganistão. 

Acredita-se que os dois vazamentos tenham a mesma fonte: um analista dissidente da inteligência do Exército americano, cuja identidade continua mantida sob sigilo. 

ABUSOS E NEGLIGÊNCIA 

Segundo os documentos, desde a invasão americana no Iraque, em 2003, morreram mais de 100 mil iraquianos, dos quais cerca de 70 mil civis. 

Os relatórios indicam que as forças americanas deixaram sem investigação centenas de denúncias de abusos, torturas e assassinatos por parte das milícias iraquianas, que em alguns casos são acusadas de chicotearem e queimarem pessoas. Em um caso particular, os americanos acusam soldados do Iraque de cortarem os dedos e queimarem com ácido um dos presos. 

Em uma das partes é descrita a execução de dois presos que estavam com as mãos atadas; já uma outra relata a morte de um preso que apesar de apresentar uma incisão cirúrgica no abdômen teve a causa do óbito descrita como "falha renal". 

O site da TV Al Jazeera relata que soldados americanos denunciaram a seus superiores as alegações de tortura em ao menos 1.300 ocasiões: "o detento estava vendado"; "apanhou nos braços e pernas com um objeto duro"; "socado no rosto e na cabeça"; "eletricidade foi usada em seus pés e genitais"; "foi sodomizado com uma garrafa d'água". 

Em alguns dos casos, os militares americanos abriram uma investigação, mas em sua maioria as denúncias foram apenas reportadas aos superiores, que deixaram a averiguação a cargo das forças iraquianas. A frase "nenhum soldado da coalizão esteve implicado no incidente" é frequente nos relatórios, assim como o comentário "não é necessária uma investigação". 

O vazamento dos documentos foi imediatamente reprovado pelo governo dos Estados Unidos. O porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, assegurou que nos documentos "não há nada que possa indicar a existência de crimes de guerra", mas considerou que "o país está mais vulnerável agora". 

O jornal "The New York Times", uma das publicações que tiveram acesso prévio aos documentos, divulgou declarações de um porta-voz do Pentágono, que indica que a política americana "está, e sempre esteve, em linha com as práticas e o Direito internacionais". 

"Se foram perpetrados (abusos) por iraquianos, corresponde às forças iraquianas investigá-los", disse o porta-voz. 

NÚMEROS 
Até agora, nem o governo dos EUA nem as forças aliadas divulgaram um número oficial das vítimas iraquianas em decorrência do conflito, apesar de os relatórios que vazaram darem conta de 109.032 mortos entre 2004 e 2009, dos quais 66.081 civis. 

Segundo a organização Iraqi Body Count, o número inclui 15 mil mortos em casos desconhecidos até agora. 

A maior parte das mortes, cerca de 30 mil, foram causadas por minas colocadas pelos insurgentes ao longo do território iraquiano. Apesar disso, há passagens onde são relatados casos em que as tropas americanas, por erro, acidente ou precipitação, mataram civis inocentes. Em uma delas, civis foram alvejados por soldados americanos desde um helicóptero, apesar de as vítimas darem sinais de rendição. 

Pelos documentos, os EUA demonstravam preocupação com o papel do Irã na guerra. Os relatórios indicam que os iranianos treinaram iraquianos no manejo de explosivos e forneceram armas para o país vizinho. 

PAPEL DO IRàOs documentos vazados pelo sie WikiLeaks revelam ainda o apoio dado às milícias iraquianas xiitas pela Guarda Revolucionária do Irã, a elite do Exército iraniano, informam o jornal "The New York Times" e a TV Al Jazeera. 

O papel do Irã na Guerra do Iraque é tema de vários documentos, muitos dos quais sugerem que Teerã estava fortemente envolvido em equipar e apoiar grupos xiitas radicais no Iraque. Os dois veículos reiteram, no entanto, que os documentos apenas registram um lado da história --o dos EUA-- e de forma limitada, e que muitos foram baseados em entrevistas com informantes --de credibilidade duvidosa. 

Os arquivos apontam amplas ligações entre o Irã e os grupos militantes, que tinham como alvo políticos sunitas, ou responsáveis por ataques com o objetivo de minar a confiança no governo iraquiano. 

Durante o governo de George W. Bush, críticos alegaram que a Casa Branca exagerou no papel do Irã no conflito iraquiano, com o objetivo de ganhar apoio a política linha-dura em relação a Teerã, incluindo uma possível ação militar. 

Testemunhos de detidos, o diário de um militante capturado e várias armas apreendidas revelam o papel do Irã em fornecer às milícias iraquianas foguetes, bombas magnéticas que podem ser grudadas embaixo de carros, bombas de beira de estrada, rifles calibre 50 e mísseis portáteis, entre outras armas.



Disponível em: http://www.portalaz.com.br/noticia/geral/193694_onu_pede_explicacoes_aos_eua_apos_wikileaks.html

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Missão da ONU no Haiti

ONU estende missão de paz no Haiti por mais um ano

14 de outubro de 2010 | 20h 32


O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) estendeu hoje a missão de paz no Haiti por mais um ano, expressando preocupações com a crescente insegurança e pedindo por eleições "legítimas e transparentes" no país caribenho no próximo ano.
Uma resolução adotada por unanimidade pelo Conselho autoriza a força de paz a "apoiar o processo político em curso" e auxiliar o governo haitiano a preparar e conduzir as eleições presidenciais e legislativas. A resolução também pede à força que dê "proteção adequada à população civil, com atenção particular às necessidades de pessoas desabrigadas e outros grupos vulneráveis, especialmente mulheres e crianças".
O Haiti, que é o país mais pobre do Hemisfério Ocidental, foi atingido em 12 de janeiro deste ano por um devastador terremoto, o qual matou mais de 300 mil pessoas e deixou milhões desabrigadas. O progresso para alojar de maneira permanente essas pessoas tem sido muito lento e mais de 1 milhão de haitianos permanecem sem-teto em meio a pilhas de detritos e escombros.
Uma investigação recente da Associated Press indicou que nem um centavo dos US$ 1,15 bilhão prometidos pelo governo dos Estados Unidos para a reconstrução no Haiti chegou ao país caribenho. No total, os países doadores prometeram US$ 10 bilhões para reconstruir o Haiti numa conferência feita em março. Com a decisão de hoje, a ONU manterá no Haiti até 15 de outubro de 2011 um contingente de 8.940 soldados e uma força internacional de 4.391 agentes policiais. 

Novos Membros não-permanentes do Conselho de Segurança - Período 2011-12

África do Sul eleita membro não permanente do Conselho de Segurança*



*Repercussão na África (site de notícias angolano)


Nova Iorque (EUA) - A África do Sul foi eleita em Nova Iorque com 182 votos membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para um mandato de dois anos a partir de Janeiro de 2011.

A eleição da África do Sul decorreu durante uma sessão plenária da Assembleia Geral das Nações Unidas organizada terça-feira para eleger cinco novos representantes não permanentes do Conselho de Segurança.

Os cinco novos membros vão substituir os membros cessantes que são a Áustria, o Japão, o México, a Turquia e o Uganda, que deverão deixar os seus assentos no final deste ano.

Os outros membros eleitos são a Índia, que obteve 187 votos para o grupo asiático, e a Colômbia, com 186 votos para a América Latina e as Caraíbas.

Os dois assentos da Europa Ocidental e dos outros grupos foram ganhos pela Alemanha, com 128 votos, e por Portugal, com 150 votos.

O Conselho de Segurança, o órgão mais poderoso das Nações Unidas, é composto por cinco membros permanentes que dispõem de direito de veto (China, Grã Bretanha, França, Rússia e Estados Unidos) e de 10 membros não permanentes eleitos pela Assembleia Geral para um mandato de dois anos.

Para obter um assento não permanente, o país candidato deve totalizar dois terços do sufrágio da Assembleia Geral, ou seja perto de 128 votos.




Uma vitória especial*

* Repercussão em Portugal

A República Portuguesa foi eleita pela terceira vez membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, sempre no regime democrático. Mas esta última vitória é, nas presentes circunstâncias, muito especial.
    Portugal volta a ser um Estado que conta na cena internacional depois de uma degradação europeia progressiva e de um sufoco crescente nos mercados financeiros.

O Mundo é mesmo o nosso melhor espaço, embora seja de reflectir porque é que 32 países não deram o seu voto a Portugal e insistiram no Canadá mesmo depois da retirada deste, especialmente se o Reino Unido acompanhou o pelotão. Estamos todos de parabéns mas convém felicitar os responsáveis pela representação externa do Estado e pela condução da diplomacia portuguesa por esta eleição que contou com o voto de 150 países.
A competente campanha diplomática assentou na credibilidade já adquirida internacionalmente pelo regime democrático português, nas duas anteriores passagens pelo CS, num propósito de moderação e de mediação honesta nas futuras questões de segurança colectiva, e ainda numa atitude de abertura a uma eventual reforma do sistema das Nações Unidas.
Reforma tão necessária sobretudo para uma governança mundial da globalização. Foi um Portugal universalista que se apresentou às nações.
Disponível em: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/uma-vitoria-especial




Nota no site do Itamaraty a respeito da eleição dos novos membros não-permanente:




Nota nº 619

Eleição para o Conselho de Segurança das Nações Unidas

Será a primeira vez em que os membros do Fórum IBAS (Índia, Brasil e África do Sul) e do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) estarão juntos no órgão.
Patrick Gruban / creative commonsEleição para o Conselho de Segurança das Nações Unidas
13/10/2010 -
O Brasil congratula-se com África do Sul, Alemanha, Colômbia, Índia e Portugal pela eleição desses países, ocorrida ontem, 12 de outubro, para mandato de dois anos como membros não-permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU). O Ministro Celso Amorim enviou hoje mensagem de congratulações aos chanceleres dos cinco países eleitos.
Os novos membros exercerão seus mandatos a partir de 1º de janeiro de 2011 e substituirão Áustria, Japão, México, Turquia e Uganda, que deixam o CSNU ao final deste ano. Os cinco países eleitos ontem vêm juntar-se a Brasil, Bósnia-Herzegovina, Gabão, Nigéria e Líbano e aos membros permanentes (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) para integrar o Conselho em 2011.
A composição do Conselho de Segurança em 2011 é inédita. Será a primeira vez em que os membros do Fórum IBAS (Índia, Brasil e África do Sul) estarão juntos no órgão. O Conselho também contará com todos os membros do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), três países do G-4 (Brasil, Alemanha e Índia) e nove membros do G-20 financeiro (Brasil, África do Sul, Alemanha e Índia, além dos cinco membros permanentes).
O Brasil acredita que a composição do Conselho de Segurança em 2011, que reunirá países dispostos a assumir novas responsabilidades na manutenção da paz e da segurança internacionais, é positiva para a governança política global e dará impulso ao processo de reforma e ampliação do CSNU.


*****
Election for the United Nations Security Council
Brazil congratulates South Africa, Germany, Colombia, India and Portugal on their election, on 12 October 2010, to a two-year term as non-permanent members of the United Nations Security Council (UNSC). Today, Minister Celso Amorim sent a message of congratulation to the Foreign Ministers of the five elected countries.

The new members will begin their term on 1 January 2011, in substitution of Austria, Japan, Mexico, Turkey and Uganda. The five elected countries will join Brazil, Bosnia-Herzegovina, Gabon, Nigeria and Lebanon and the permanent members (China, France, Russia, United Kingdom and United States) in the Council in 2011. 
The composition of the Security Council in 2011 is unprecedented. It will be the first time that the members of the IBSA Forum (India, Brazil and South Africa) will sit together on the Council. The Council will also comprise all BRIC countries (Brazil, Russia, India and China), three G-4 countries (Brazil, Germany and India) and nine financial G-20 members (Brazil, South Africa, Germany and India, in addition to the five permanent members).
Brazil believes that the composition of the Security Council in 2011, bringing together countries that are willing to take on new responsibilities in maintaining international peace and security, is a positive step for global political governance and will boost the UNSC reform and enlargement process.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Somália: Estado falido e faminto

Metade da assistência alimentar à Somália é desviada, diz ONU
10 de março de 2010 16h28 atualizado às 16h44 

Homem carrega um saco de comida de um armazém de Mogadíscio; metade dos alimentos doados é desviado, diz ONU Foto: The New York Times Homem carrega um saco de comida de um armazém de Mogadíscio; metade dos alimentos doados é desviada

Foto: The New York Times

Jeffrey Gettleman e Neil MacFarquhar
Do New York Times
Até metade da assistência alimentar enviada à Somália é desviada das pessoas que mais necessitam dela para uma rede de intermediários corruptos, militantes radicais islâmicos e funcionários locais das Nações Unidas, de acordo com um novo relatório do Conselho de Segurança da ONU.
O relatório, que ainda não foi divulgado, foi mostrado por diplomatas ao New York Times e delineia diversos problemas graves a ponto de levar seus autores a recomendar ao secretário geral da organização, Ban Ki-moon, que inicie uma investigação independente sobre as operações do Programa Mundial de Alimentos no país. O estudo sugere que o programa reconstrua o sistema de distribuição de alimentos - que atende a pelo menos 2,5 milhões de pessoas - a partir do zero, para destruir o que descreve como um cartel corrupto de distribuidores somalis.
Além do desvio de assistência alimentícia, as autoridades somalis colaboram com piratas que sequestram navios ao largo das costas desprotegidas do país, segundo o relatório, e ministros somalis leiloaram vistos diplomáticos para viagens à Europa a qualquer interessado - alguns dos compradores podem ter sido piratas ou insurgentes.
As autoridades somalis negaram que houvesse um grave problema com vistos, e dirigentes do Programa Mundial de Alimentos afirmaram não ter visto o relatório mas que investigariam suas conclusões assim que o texto fosse apresentado ao Conselho de Segurança, em 16 de março.
O relatório surge no momento em que o governo de transição da Somália está se preparando para uma grande ofensiva militar com o objetivo de recapturar a capital do país, Mogadíscio, e combater um movimento insurgente islâmico conectado à Al-Qaeda. Os Estados Unidos estão fornecendo assistência militar, enquanto as Nações Unidas tentam reverter as duas décadas de anarquia que o país vinha vivendo.
Um funcionário do governo dos Estados Unidos reconheceu recentemente que "a melhor esperança" da Somália era o novo comandante militar do governo, um antigo oficial de artilharia de 60 anos de idade que, até alguns meses atrás, estava trabalhando como subgerente de um McDonald's no subúrbio de uma cidade alemã.
Os investigadores que prepararam o relatório haviam sido originalmente instruídos a averiguar violações do embargo de armas imposto pela ONU à Somália, mas suas atribuições foram expandidas.
Diversos dos autores do relatório receberam ameaças de morte, e a ONU recentemente os transferiu do Quênia para Nova York a fim de proteger sua segurança.
Possíveis obstruções à assistência são um tema incômodo na Somália ao longo dos últimos 12 meses, e contribuíram para o adiamento de embarques pelo governo dos Estados Unidos e para recentes suspensões dos programas de alimentação em determinadas áreas, sob ordens de funcionários da ONU. O relatório destaca o Programa Mundial de Alimentos, a maior das agências assistenciais em operação em um país em perpétua crise, como especialmente problemático.
"Alguns recursos humanitários, especialmente a assistência alimentar, foram desviados para uso militar", afirma o relatório. "Uns poucos intermediários somalis empregados pelas agências de assistência formaram um cartel e se tornaram influentes, e alguns deles canalizam seus lucros -ou até mesmo o material de assistência - diretamente para grupos armados de oposição".
Essas alegações quanto a desvios de assistência alimentar surgiram inicialmente no ano passado, e o Programa Mundial de Alimentos vem negando constantemente a descoberta de indícios de delitos, e afirmou que uma auditoria interna sobre a questão não havia identificado quaisquer abusos mais graves.
"Ainda não tivemos acesso ao relatório do Grupo de Monitoração da Somália pela ONU", disse Amir Abdulla, diretor assistente do Programa Mundial de Alimentos, na terça-feira. "Mas investigaremos todas as alegações, como sempre fizemos no passado, quando surgiram questões sobre as nossas operações".
Os investigadores que redigiram o atual relatório questionam a independência da auditoria mencionada e pedem por uma nova investigação externa sobre a agência das Nações Unidas.
"Temos de dizer a essas pessoas que não se pode continuar assim para sempre, que sabemos o que elas estão fazendo e que elas não estão nos enganando, e deveriam parar", disse o presidente Ali Bongo Ondimba, do Gabão, que estava nas Nações Unidas, onde seu país preside o Conselho de Segurança este mês.
O relatório também acusa autoridades somalis de vender lugares em viagens à Europa e de que muitas das pessoas apresentadas como parte de comitivas governamentais, em viagens oficiais de autoridades somalis ao exterior, eram na verdade piratas ou membros de grupos militantes disfarçados.
O relatório afirma que funcionários somalis usaram suas conexões com governos estrangeiros a fim de obter vistos e documentos de viagem para pessoas que de outro modo não poderiam viajar ao exterior, e que muitas dessas pessoas desapareciam na Europa e não retornavam mais.
"Ministros, parlamentares, diplomatas e 'corretores independentes' somalis transformaram o acesso a vistos para o exterior em uma indústria próspera, comparável apenas à pirataria, na economia do país, vendendo vistos por entre US$ 10 mil e US$ 15 mil", afirma o relatório.
Os autores do relatório estimam que dezenas, senão centenas, de somalis tenham ganho acesso à Europa ou outras áreas por meio desse método clandestino de obter vistos.
"Talvez tenha acontecido um caso ou dois ao longo dos anos", disse Mohamed Osman Aden, um diplomata somali estacionado no Quênia. "Mas são apenas boatos. Essas alegações estão circulando há anos".
O relatório também toma por alvo alguns dos mais ricos e influentes empresários somalis, os chamados "senhores do dinheiro". Um deles, Abdulkadir Nur, conhecido pelo apelido Eno, é casado com uma mulher que desempenha papel importante em uma agência local de assistência, cuja função supostamente é a de verificar se os alimentos doados são efetivamente entregues.
Essa "potencial lacuna" de fiscalização poderia "oferecer o potencial de desvios em larga escala", afirma o relatório. O texto acusa Nur de forjar o sequestro de seus próprios caminhões e de mais tarde vender os alimentos que eles transportavam.
Em mensagem de e-mail ao New York Times, Nur disse ter encaminhado aos investigadores muitos documentos que "demonstram com grande clareza que as fofocas e rumores que estão investigando são falsos", incluindo o suposto sequestro de cargas e quaisquer conexões com os insurgentes.
Ele disse que sua mulher era simplesmente membro do conselho de uma agência local de assistência, e que apenas "uma minúscula fração" dos alimentos que ele transportava eram dirigidos a essa agência.
Em setembro, o presidente somali xeque Sharif Sheik Ahmed, escreveu uma carta ao secretário geral Ban defendendo Nur como "uma pessoa muito conscienciosa, diligente e trabalhadora", e alegando que, não fosse o trabalho desses intermediários, "muitos somalis teriam perecido".
O relatório questiona os motivos para o Programa Mundial de Alimentação direcione 80% de seus contratos de transporte na Somália, avaliados em cerca de US$ 200 milhões, a três empresários somalis, especialmente porque todos eles são suspeitos de conexões com os insurgentes islâmicos.
O relatório afirma que a fraude é onipresente, e que cerca de 30% da assistência é desviada pelos parceiros locais e funcionários locais do Programa Mundial de Alimentação, outros 10% pelos encarregados do transporte terrestre e entre 5% e 10% pelo grupo armado em controle de cada área. Isso significa que até metade dos alimentos não chegam às pessoas que precisam deles de forma desesperada.
Em janeiro, os Estados Unidos suspenderam dezenas de milhões de dólares em embarques de assistência ao sul da Somália devido ao medo de desvios, e funcionários do governo norte-americano acreditam que parte da assistência do país possa ter sido desviada para o Al Shabab, o mais militante dos grupos insurgentes somalis.
O relatório também afirma que o presidente de Puntland, uma região semiautônoma no norte da Somália, tem fortes laços com os piratas locais, que canalizam para ele parte do dinheiro ganho com o sequestro de navios. Não foi possível contactar as autoridades de Puntland na terça-feira, mas Mohamed, o diplomata somali, descartou as alegações, afirmando que o governo local aprisionou mais de 150 piratas e que não havia recebido "um centavo" deles.
"É lastimável que esse grupo de monitoração acredite que possa jogar toda a culpa sobre os somalis", afirmou.
Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times 
The New York Times

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Compacto - NYC

A primeira semana aqui eu narrei bem no blog até, só checar as postagens anteriores. Queria ter feito um post especial pra falar da ida na ONU, mas não fiz. Pra matar a curiosidade, lá é muuuuito bala, um passeio que vale a pena ser feito (principalmente se você faz Relações Internacionais, participa de Modelos da ONU e se gosta de política internacional e de diplomacia como eu) e que não sai caro - não lembro exatamente o preço do tou, mas acho que foi uns $10, apresentando carteira internacional de estudante. Não dava pra entrar na sala do Conselho de Segurança pois ela está em reformas, mas ao menos deu pra ver um pouco do trabalho de ajuda humanitária das Nações Unidas, pude me informar melhor a respeito de estágios por lá e, claro, vi a sala da Assembleia Geral (bem tri, muito bonita, mas uma pequena parte do teto tinha cedido por conta das nevascas que assolaram NYC dias antes, então tinha restos de concreto no chão - sim, pra ver como que a ONU recebe muito dinheiro dos seus membros). Também foi o dia em que eu e a Débora pegamos o ferry noturno pra Staten Island e vimos a Estátua da Liberdade (denovo) e principalmente Manhattan durante a madrugada, uma vista linda e que saiu de graça!

Também foi o período de conferir os museus aqui. Na sexta fui no Moma, interessante até, mas acho que dos museus que fui aqui foi o que menos curti (pelo menos a entrada foi de graça hehehehehe). No sábado, foi a vez de ir no Metropolitan Museum of Arts, tmb chamado carinhosamente de Met. Lá, sim, pode-se dizer que é O museu! Valeu muito ter pago os $10 da entrada de estudante. Acervo impressionante, e isso que não vi a parte das pinturas. Se encontra peças de tudo quanto é lugar  - da china às Américas, da Oceania à Roma antiga, da Europa Medieval à Índia... vale a pena gastar umas 3 horas lá (se tu tiver pique pra tanto). Outro lugar especial do findi foi o Central Park. Acho que, de Manhattan, é o meu lugar favorito, mesmo coberto de neve; me arrependo de não ter ido mais vezes lá, é enorme e muito, muito bonito mesmo! Dica: acompanhe o por-do-sol de lá um dia, vale muito a pena (só não fique muito distante das saídas pq de noite lá fica meio assustador e tu pode se perder).

Outro ponto imperdível da cidade é o Brooklin. Não apenas pelo charme da arquitetura do século XIX que predomina em parte da região, mas pelo clima do bairro, tem mais área residencial que Manhattan, sei lá, me senti mais acolhido e confortável por lá do que nessa selva urbana e cheia de arranha-céus que é Manhattan. Não deu pra ver muita coisa, mas só por ter ido na Ponte do Brooklin e ter visto o por-do-sol de lá já valeu muito a pena.

Entre segunda e quarta estive fora de NYC (matéria do próximo post) então vamos direto pro resumo desses dois últimos dias; Ontem aproveitei pra conhecer alguns lugares que queria ter ido, mas não tinha tido a chance ainda. Começei pela University of Columbia, no norte de Manhattan, na região do Harlem. Olha, foi bom respirar ares acadêmicos um pouco, é uma universidade bem interessante pra se fazer uma pós ou uma especialização futura, pretendo me informar melhor. Bem próximo dali, tem uma outra catedral muuuito linda, estilo meio gótico eu acho, a St. John. Seguindo, fui no Museu de História Natural, na 81 street, é enorme! Sério, são 4 andares de prédio que ocupa 4 quarteiros quase, mas não digo que foi "Oh meu Deus!". Tem um acervo muito bom, desde animais até rochas e minerais, desde o espaço até a evolução humana, sem contar a parte de culturas antigas e dinossauros, mas não sei se era pq eu tava cansado da viagem a DC ou se pq perdi meu Metrocard lá, não estava com tanto ânimo pra encarar mais um museu. Enfim, foi legal, mas ainda prefiro o Met. Por fim, o resto do dia foi pra fazer as últimas compras aqui e pra descansar um pouco.

Por fim, the last day: hoje não fiz quase nada, fiquei em casa arrumando as malas (fiz um malabarismo, mas consegui acomodar tudo nas duas malas e na mochila - sim, tive que comprar uma malinha pequena aqui pra dar conta de tudo - daqui a pouco vou fecha-las); só fiz o passeio que tinha reservado pro fim: ir ao topo do Empire States e ver o por-do-sol de lá. Muuuuuuuito bom, consegui pegar bem na hora em que o sol se punha e fiquei até o anoitecer, tri demais. Foram $20, mas não me arrependo, vale a pena demais! Agora, estou em casa esperando a hora de ir pro Terminal rodoviário daqui, ao menos ele é perto.