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Este blog está passando por uma transformação! Após servir como canal de comunicação entre eu e quem se interessou em saber o que se passava comigo no Canadá e nos EUA no início deste ano, uma nova aventura está por vir! Através desse blog, vou narrar as minhas aventuras pelo Velho Mundo que se iniciarão em setembro! Além disso, vou postar periodicamente fatos e notícias que aconteceram ao redor do mundo, bem como curiosidades e bizarrises a respeito dos mais diversos povos e países. Afinal, vivemos em um mundo pequeno!

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domingo, 24 de outubro de 2010

ONU pede explicações aos EUA após WikiLeaks

23/10/2010 • 19:20Fonte: folhaonline

Após a ONU e a Anistia Internacional pedirem aos EUA explicações sobre os casos de tortura e mortes de civis durante a Guerra do Iraque denunciadas pelo WikiLeaks, o premiê iraquiano Nouri al Maliki classificou a divulgação dos dados secretos de "sabotagem" e disse que as acusações de que seu governo teria sido complacente com os abusos são parte de uma campanha política contra ele. 

Em meio ao vácuo político após a retirada das tropas de combate americanas e a ausência de um governo há meses, al Maliki acusou seus opositores de querer utilizar os documentos miliares americanos divulgados na sexta-feira pelo site WikiLeaks para acusá-lo de cometer os abusos. 

"Há objetivos políticos por trás dessa campanha midiática, e alguns buscam utilizar esses documentos contra os líderes nacionais, particularmente o primeiro-ministro", afirmou o gabinete do chefe de governo em um comunicado. 

As informações publicadas pelo WikiLeaks referem-se a casos de violência, torturas, estupros e inclusive assassinatos cometidos por policiais e militares iraquianos contra prisioneiros e sobre os quais o Exército americano optou por negligenciar. 

Segundo a constituição iraquiana, o primeiro-ministro também é comandante-em-chefe das Forças Armadas. 

Além disso, de acordo com os documentos citados pela Al Jazeera, al Maliki teve vínculos com "esquadrões da morte". 

Os opositores do primeiro-ministro o acusam de ter criado no seio das forças de segurança, após sua nomeação em 2006 em pleno conflito sectário, unidades responsáveis por fazer o trabalho sujo, principalmente assassinatos. 

"Em relação aos assassinatos, às prisões e torturas, confirmamos que o primeiro-ministro, que é comandante das Forças Armadas, tem a autoridade sobre todas a forças e que estas cumprem seu dever de deter e castigar conforme as ordens emitidas pela Justiça, e não segundo critérios religiosos ou partidários, como alguns gostam de dizer", respondeu o escritório do chefe de governo. 


ONU 
Mais cedo o relator especial da ONU sobre a tortura, Manfred Nowak, e a Anistia Internacional, instaram neste sábado os Estados Unidos a investigar os casos de tortura revelados nos documentos militares americanos publicados na sexta-feira pelo site WikiLeaks. 

"A administração (do presidente americano Barack) Obama tem a obrigação, quando surgem acusações sérias de tortura contra qualquer funcionário americano, de investigar e tomar as consequências. Essas pessoas deveriam ser processadas", afirmou o relator à rádio BBC. 

"Eu teria esperado que (este tipo de investigação) fosse iniciada há tempos, porque o presidente Obama chegou ao poder prometendo a mudança (...) O presidente Obama tem a obrigação de cuidar dos casos passados. É uma obrigação investigar", continuou o relator. 

Nowak reconheceu, entretanto, que poderia ser apenas uma investigação americana, já que os Estados Unidos não reconhecem o Tribunal Penal Internacional (TPI). 

A Anistia Internacional também pediu a Washington que investigue o quanto as autoridades sabiam sobre os maus tratos a presos no Iraque. 

A organização de defesa dos direitos humanos com sede em Londres lembrou em um comunicado que, como todos os governos, os Estados Unidos "têm uma obrigação sob o direito internacional de garantir que suas próprias forças não utilizem a tortura e que as pessoas que estão detidas pelas forças americanas não sejam entregues a outras autoridades que possam torturá-las". 

"Os Estados Unidos descumpriram esta obrigação no Iraque, apesar do grande volume de provas disponíveis de muitos locais, que mostram que as forças de segurança iraquianas utilizam a tortura extensivamente e foi permitido que o fizessem impunemente", disse Malcolm Smart, diretor da Anistia para o Oriente Médio. 



DEFESA 
Já o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, defendeu neste sábado a divulgação de cerca de 400 mil documentos secretos sobre a guerra no Iraque. 

Em entrevista coletiva, Assange afirmou que foram tomados todos os cuidados para que não haja risco para nenhum soldado envolvido nas operações no Iraque, relatou o correspondente da Folha em Londres, Vaguinaldo Marinheiro. 
O governo americano voltou a criticar o site. Disse que os documentos não trazem novidades e que apenas podem gerar um sentimento de vingança, colocando em risco as tropas ocidentais que continuam no país. 

"Os ataques à verdade começam antes do início de uma guerra e continuam mesmo depois que ela acaba", afirmou Assange. 

Segundo ele, a divulgação dos documentos minimizam esses ataques à verdade. 

Nos papéis colocados à disposição no site há vários relatos de mortes e torturas cometidas pela polícia e pela Guarda Nacional Iraquianas contra seus próprios cidadãos. 

Apesar de presenciar as atrocidades, soldados americanos apenas relatavam que não havia nada mais a investigar. Em alguns casos, eram comunicadas as autoridades iraquianas, muitas vezes as mesmas responsáveis pelas torturas. 

"Isso transforma as tropas em cúmplices", afirmou Phil Shiner, da ONG Public Interest Lawyers, também presente à coletiva. 

Os documentos revelam também 15 mil mortes de civis a mais que os computados até agora por Organizações Não Governamentais que acompanham a guerra. 

Acredita-se que 66 mil civis foram mortos desde a invasão do país, em 2003. 

O governo dos EUA diz que não há números sobre mortes de civis. "Os documentos trazem não apenas números, mas detalhes dos mortos. Isso é muito importante", disse John Sloboda, da organização Iraq Body Count. 

A divulgação dos documentos é considerada o maior vazamento desse tipo de documento da história. 

Em julho, o WikiLeaks já havia divulgado 91 mil documentos secretos sobre a guerra do Afeganistão. 

Acredita-se que os dois vazamentos tenham a mesma fonte: um analista dissidente da inteligência do Exército americano, cuja identidade continua mantida sob sigilo. 

ABUSOS E NEGLIGÊNCIA 

Segundo os documentos, desde a invasão americana no Iraque, em 2003, morreram mais de 100 mil iraquianos, dos quais cerca de 70 mil civis. 

Os relatórios indicam que as forças americanas deixaram sem investigação centenas de denúncias de abusos, torturas e assassinatos por parte das milícias iraquianas, que em alguns casos são acusadas de chicotearem e queimarem pessoas. Em um caso particular, os americanos acusam soldados do Iraque de cortarem os dedos e queimarem com ácido um dos presos. 

Em uma das partes é descrita a execução de dois presos que estavam com as mãos atadas; já uma outra relata a morte de um preso que apesar de apresentar uma incisão cirúrgica no abdômen teve a causa do óbito descrita como "falha renal". 

O site da TV Al Jazeera relata que soldados americanos denunciaram a seus superiores as alegações de tortura em ao menos 1.300 ocasiões: "o detento estava vendado"; "apanhou nos braços e pernas com um objeto duro"; "socado no rosto e na cabeça"; "eletricidade foi usada em seus pés e genitais"; "foi sodomizado com uma garrafa d'água". 

Em alguns dos casos, os militares americanos abriram uma investigação, mas em sua maioria as denúncias foram apenas reportadas aos superiores, que deixaram a averiguação a cargo das forças iraquianas. A frase "nenhum soldado da coalizão esteve implicado no incidente" é frequente nos relatórios, assim como o comentário "não é necessária uma investigação". 

O vazamento dos documentos foi imediatamente reprovado pelo governo dos Estados Unidos. O porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, assegurou que nos documentos "não há nada que possa indicar a existência de crimes de guerra", mas considerou que "o país está mais vulnerável agora". 

O jornal "The New York Times", uma das publicações que tiveram acesso prévio aos documentos, divulgou declarações de um porta-voz do Pentágono, que indica que a política americana "está, e sempre esteve, em linha com as práticas e o Direito internacionais". 

"Se foram perpetrados (abusos) por iraquianos, corresponde às forças iraquianas investigá-los", disse o porta-voz. 

NÚMEROS 
Até agora, nem o governo dos EUA nem as forças aliadas divulgaram um número oficial das vítimas iraquianas em decorrência do conflito, apesar de os relatórios que vazaram darem conta de 109.032 mortos entre 2004 e 2009, dos quais 66.081 civis. 

Segundo a organização Iraqi Body Count, o número inclui 15 mil mortos em casos desconhecidos até agora. 

A maior parte das mortes, cerca de 30 mil, foram causadas por minas colocadas pelos insurgentes ao longo do território iraquiano. Apesar disso, há passagens onde são relatados casos em que as tropas americanas, por erro, acidente ou precipitação, mataram civis inocentes. Em uma delas, civis foram alvejados por soldados americanos desde um helicóptero, apesar de as vítimas darem sinais de rendição. 

Pelos documentos, os EUA demonstravam preocupação com o papel do Irã na guerra. Os relatórios indicam que os iranianos treinaram iraquianos no manejo de explosivos e forneceram armas para o país vizinho. 

PAPEL DO IRàOs documentos vazados pelo sie WikiLeaks revelam ainda o apoio dado às milícias iraquianas xiitas pela Guarda Revolucionária do Irã, a elite do Exército iraniano, informam o jornal "The New York Times" e a TV Al Jazeera. 

O papel do Irã na Guerra do Iraque é tema de vários documentos, muitos dos quais sugerem que Teerã estava fortemente envolvido em equipar e apoiar grupos xiitas radicais no Iraque. Os dois veículos reiteram, no entanto, que os documentos apenas registram um lado da história --o dos EUA-- e de forma limitada, e que muitos foram baseados em entrevistas com informantes --de credibilidade duvidosa. 

Os arquivos apontam amplas ligações entre o Irã e os grupos militantes, que tinham como alvo políticos sunitas, ou responsáveis por ataques com o objetivo de minar a confiança no governo iraquiano. 

Durante o governo de George W. Bush, críticos alegaram que a Casa Branca exagerou no papel do Irã no conflito iraquiano, com o objetivo de ganhar apoio a política linha-dura em relação a Teerã, incluindo uma possível ação militar. 

Testemunhos de detidos, o diário de um militante capturado e várias armas apreendidas revelam o papel do Irã em fornecer às milícias iraquianas foguetes, bombas magnéticas que podem ser grudadas embaixo de carros, bombas de beira de estrada, rifles calibre 50 e mísseis portáteis, entre outras armas.



Disponível em: http://www.portalaz.com.br/noticia/geral/193694_onu_pede_explicacoes_aos_eua_apos_wikileaks.html

sexta-feira, 26 de março de 2010

Amanhã, 20h30: Hora do Planeta

Milhões de pessoas apagarão as luzes na Hora do Planeta
26 de março de 2010 10h25

 
Centenas de locais mundialmente famosos, como a Torre Eiffel ou a o la Cidade Proibida, ficarão às escuras neste sábado durante a Hora do Planeta, uma ação destinada a promover a luta contra o aquecimento climático durante o qual se prevê a participação de milhões de pessoas. Esta quarta edição, que acontece três meses depois do fracasso da cúpula do clima de Copenhague, promete ser a mais seguida, com 125 países participantes ante os 88 do ano anterior, anunciaram os organizadores.
"A acolhida dada à Hora do Planeta foi imensa. A taxa de respota é muito superior ao ano passado", afirmou com satisfação o fundador do movimento, Andy Ridley.
"Supõe-se que a operação Hora do Planeta vai ultrapassar as fronteiras geográficas e econômicas", acrescentou.
O movimento nasceu em Sydney em 2007, quando 2,2 milhões de pessoas permaneceram às escuras durante 60 minutos para sensibilizar a opinião pública sobre o consumo excessivo de eletricidade e a poluição por dióxido de carbono.
Organizada pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), a operação adquiriu uma dimensão mundial em 2008 e no sábado, às 20h30 locais (9H30 GMT), mais de 1.200 edifícios apagarão suas luzes.
Muitas multinacionais como o Google, Coca-Cola, Hilton, McDonalds, Canon, HSBC ou Ikea aceitaram participar no apagão pelo bem do planeta.
Sydney será, pela diferança horária, a primeira a mergulhar na escuridão, com o apagar das luzes da Ópera. Depois as luzes serão apagadas nas Pirâmides do Egito, a Fontana de Trevi e a Torre de Pisa, na Itália, ou a Torre Eiffel de Paris.
Em Pequim, a Cidade Proibida e o emblemático Ninho do Pássaro, estádio dos Jogos Olímpicos de 2008, também ficarão às escuras. Estes apagões adquirem um significado especial neste país, símbolo de um crescimento econômico fulgurante acompanhado de uma contaminação que ostenta o título de maior poluente do mundo.
No Japão, o Memorial da Paz de Hiroshima participará na operação enquanto que os grupos Sony, Sharp e Asahi apagarão suas luzes em Tóquio.
Em Dubai, a Burj Khalifa, a maior torre do mundo, sumirá na escuridão.
Em dezembro, a Conferência de Copenhague, sob patrocínio da ONU, desembocou em um acordo de mínimos entre 30 países, dos 192 participantes.
O acordo fixa como objetivo limitar a dois graus a elevação média da temperatura do planeta, mas é impreciso sobre como se conseguirá ao não cifrar objetivos a curto prazo (2020) nem a médio (2050).
Os grandes países em desenvolvimento, como a China e a Índia, se negam a aceitar obrigações vinculantes e consideram que os objetivos dos países industrializados estão muito longe de sua responsabilidade na poluição do planeta.


E então? Vai aderir à Hora do Planeta?

quarta-feira, 10 de março de 2010

Somália: Estado falido e faminto

Metade da assistência alimentar à Somália é desviada, diz ONU
10 de março de 2010 16h28 atualizado às 16h44 

Homem carrega um saco de comida de um armazém de Mogadíscio; metade dos alimentos doados é desviado, diz ONU Foto: The New York Times Homem carrega um saco de comida de um armazém de Mogadíscio; metade dos alimentos doados é desviada

Foto: The New York Times

Jeffrey Gettleman e Neil MacFarquhar
Do New York Times
Até metade da assistência alimentar enviada à Somália é desviada das pessoas que mais necessitam dela para uma rede de intermediários corruptos, militantes radicais islâmicos e funcionários locais das Nações Unidas, de acordo com um novo relatório do Conselho de Segurança da ONU.
O relatório, que ainda não foi divulgado, foi mostrado por diplomatas ao New York Times e delineia diversos problemas graves a ponto de levar seus autores a recomendar ao secretário geral da organização, Ban Ki-moon, que inicie uma investigação independente sobre as operações do Programa Mundial de Alimentos no país. O estudo sugere que o programa reconstrua o sistema de distribuição de alimentos - que atende a pelo menos 2,5 milhões de pessoas - a partir do zero, para destruir o que descreve como um cartel corrupto de distribuidores somalis.
Além do desvio de assistência alimentícia, as autoridades somalis colaboram com piratas que sequestram navios ao largo das costas desprotegidas do país, segundo o relatório, e ministros somalis leiloaram vistos diplomáticos para viagens à Europa a qualquer interessado - alguns dos compradores podem ter sido piratas ou insurgentes.
As autoridades somalis negaram que houvesse um grave problema com vistos, e dirigentes do Programa Mundial de Alimentos afirmaram não ter visto o relatório mas que investigariam suas conclusões assim que o texto fosse apresentado ao Conselho de Segurança, em 16 de março.
O relatório surge no momento em que o governo de transição da Somália está se preparando para uma grande ofensiva militar com o objetivo de recapturar a capital do país, Mogadíscio, e combater um movimento insurgente islâmico conectado à Al-Qaeda. Os Estados Unidos estão fornecendo assistência militar, enquanto as Nações Unidas tentam reverter as duas décadas de anarquia que o país vinha vivendo.
Um funcionário do governo dos Estados Unidos reconheceu recentemente que "a melhor esperança" da Somália era o novo comandante militar do governo, um antigo oficial de artilharia de 60 anos de idade que, até alguns meses atrás, estava trabalhando como subgerente de um McDonald's no subúrbio de uma cidade alemã.
Os investigadores que prepararam o relatório haviam sido originalmente instruídos a averiguar violações do embargo de armas imposto pela ONU à Somália, mas suas atribuições foram expandidas.
Diversos dos autores do relatório receberam ameaças de morte, e a ONU recentemente os transferiu do Quênia para Nova York a fim de proteger sua segurança.
Possíveis obstruções à assistência são um tema incômodo na Somália ao longo dos últimos 12 meses, e contribuíram para o adiamento de embarques pelo governo dos Estados Unidos e para recentes suspensões dos programas de alimentação em determinadas áreas, sob ordens de funcionários da ONU. O relatório destaca o Programa Mundial de Alimentos, a maior das agências assistenciais em operação em um país em perpétua crise, como especialmente problemático.
"Alguns recursos humanitários, especialmente a assistência alimentar, foram desviados para uso militar", afirma o relatório. "Uns poucos intermediários somalis empregados pelas agências de assistência formaram um cartel e se tornaram influentes, e alguns deles canalizam seus lucros -ou até mesmo o material de assistência - diretamente para grupos armados de oposição".
Essas alegações quanto a desvios de assistência alimentar surgiram inicialmente no ano passado, e o Programa Mundial de Alimentos vem negando constantemente a descoberta de indícios de delitos, e afirmou que uma auditoria interna sobre a questão não havia identificado quaisquer abusos mais graves.
"Ainda não tivemos acesso ao relatório do Grupo de Monitoração da Somália pela ONU", disse Amir Abdulla, diretor assistente do Programa Mundial de Alimentos, na terça-feira. "Mas investigaremos todas as alegações, como sempre fizemos no passado, quando surgiram questões sobre as nossas operações".
Os investigadores que redigiram o atual relatório questionam a independência da auditoria mencionada e pedem por uma nova investigação externa sobre a agência das Nações Unidas.
"Temos de dizer a essas pessoas que não se pode continuar assim para sempre, que sabemos o que elas estão fazendo e que elas não estão nos enganando, e deveriam parar", disse o presidente Ali Bongo Ondimba, do Gabão, que estava nas Nações Unidas, onde seu país preside o Conselho de Segurança este mês.
O relatório também acusa autoridades somalis de vender lugares em viagens à Europa e de que muitas das pessoas apresentadas como parte de comitivas governamentais, em viagens oficiais de autoridades somalis ao exterior, eram na verdade piratas ou membros de grupos militantes disfarçados.
O relatório afirma que funcionários somalis usaram suas conexões com governos estrangeiros a fim de obter vistos e documentos de viagem para pessoas que de outro modo não poderiam viajar ao exterior, e que muitas dessas pessoas desapareciam na Europa e não retornavam mais.
"Ministros, parlamentares, diplomatas e 'corretores independentes' somalis transformaram o acesso a vistos para o exterior em uma indústria próspera, comparável apenas à pirataria, na economia do país, vendendo vistos por entre US$ 10 mil e US$ 15 mil", afirma o relatório.
Os autores do relatório estimam que dezenas, senão centenas, de somalis tenham ganho acesso à Europa ou outras áreas por meio desse método clandestino de obter vistos.
"Talvez tenha acontecido um caso ou dois ao longo dos anos", disse Mohamed Osman Aden, um diplomata somali estacionado no Quênia. "Mas são apenas boatos. Essas alegações estão circulando há anos".
O relatório também toma por alvo alguns dos mais ricos e influentes empresários somalis, os chamados "senhores do dinheiro". Um deles, Abdulkadir Nur, conhecido pelo apelido Eno, é casado com uma mulher que desempenha papel importante em uma agência local de assistência, cuja função supostamente é a de verificar se os alimentos doados são efetivamente entregues.
Essa "potencial lacuna" de fiscalização poderia "oferecer o potencial de desvios em larga escala", afirma o relatório. O texto acusa Nur de forjar o sequestro de seus próprios caminhões e de mais tarde vender os alimentos que eles transportavam.
Em mensagem de e-mail ao New York Times, Nur disse ter encaminhado aos investigadores muitos documentos que "demonstram com grande clareza que as fofocas e rumores que estão investigando são falsos", incluindo o suposto sequestro de cargas e quaisquer conexões com os insurgentes.
Ele disse que sua mulher era simplesmente membro do conselho de uma agência local de assistência, e que apenas "uma minúscula fração" dos alimentos que ele transportava eram dirigidos a essa agência.
Em setembro, o presidente somali xeque Sharif Sheik Ahmed, escreveu uma carta ao secretário geral Ban defendendo Nur como "uma pessoa muito conscienciosa, diligente e trabalhadora", e alegando que, não fosse o trabalho desses intermediários, "muitos somalis teriam perecido".
O relatório questiona os motivos para o Programa Mundial de Alimentação direcione 80% de seus contratos de transporte na Somália, avaliados em cerca de US$ 200 milhões, a três empresários somalis, especialmente porque todos eles são suspeitos de conexões com os insurgentes islâmicos.
O relatório afirma que a fraude é onipresente, e que cerca de 30% da assistência é desviada pelos parceiros locais e funcionários locais do Programa Mundial de Alimentação, outros 10% pelos encarregados do transporte terrestre e entre 5% e 10% pelo grupo armado em controle de cada área. Isso significa que até metade dos alimentos não chegam às pessoas que precisam deles de forma desesperada.
Em janeiro, os Estados Unidos suspenderam dezenas de milhões de dólares em embarques de assistência ao sul da Somália devido ao medo de desvios, e funcionários do governo norte-americano acreditam que parte da assistência do país possa ter sido desviada para o Al Shabab, o mais militante dos grupos insurgentes somalis.
O relatório também afirma que o presidente de Puntland, uma região semiautônoma no norte da Somália, tem fortes laços com os piratas locais, que canalizam para ele parte do dinheiro ganho com o sequestro de navios. Não foi possível contactar as autoridades de Puntland na terça-feira, mas Mohamed, o diplomata somali, descartou as alegações, afirmando que o governo local aprisionou mais de 150 piratas e que não havia recebido "um centavo" deles.
"É lastimável que esse grupo de monitoração acredite que possa jogar toda a culpa sobre os somalis", afirmou.
Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times 
The New York Times

sábado, 23 de janeiro de 2010

Finalmente!

EUA e ONU firmam acordo sobre cooperação no Haiti

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Os Estados Unidos e a Organização das Nações Unidas (ONU) assinaram nesta sexta-feira um acordo esclarecendo que cabe à entidade global a coordenação do auxílio internacional ao Haiti depois do terremoto deste mês.
Funcionários da ONU, agentes humanitários e diplomatas vinham reservadamente se queixando das tensões entre os militares norte-americanos e a ONU nos primeiros dias depois da tragédia, quando governos do mundo inteiro se apressavam em enviar ajuda humanitária ao miserável país caribenho.
"Este acordo formaliza a relação de trabalho entre os Estados Unidos e a ONU no território do Haiti, e assegura que esta cooperação vai continuar nos desafiadores dias e semanas pela frente", disse em nota a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice.
Com um contingente ampliado de 12.651 soldados e policiais, a Minustah (missão da ONU no Haiti, sob comando do Brasil) é responsável por ajudar as autoridades haitianas a manterem "um ambiente seguro e estável", diz o acordo, segundo o qual "a ONU está coordenando a resposta internacional ao terremoto haitiano."
Mas o texto deixa claro que cabe primariamente ao governo do Haiti reagir à tragédia, prover a segurança e liderar o processo de recuperação e reconstrução.
O acordo diz ainda que os mais de 13 mil militares norte-americanos atualmente presentes no Haiti e na sua costa não se subordinam à força da ONU. Por outro lado, o governo dos EUA se compromete a apoiar o trabalho humanitário que a ONU disser ser prioritário.
Na quarta-feira, a entidade francesa Médicos Sem Fronteiras, uma das principais agências humanitárias, acusou os EUA de prejudicarem as operações de ajuda no Haiti e de provocar graves atrasos para os médicos que tentam levar ajuda vital às vítimas.
Françoise Saulnier, diretora jurídica dos Médicos Sem Fronteiras, disse que vários dias foram perdidos porque o aeroporto de Porto Príncipe, sob controle dos EUA desde poucas horas depois do tremor do dia 12, havia sido bloqueado pelo tráfego militar.
Funcionários da ONU e diplomatas posteriormente minimizaram as tensões, dizendo que tais conflitos eram inevitáveis em meio ao caos que se segue a um desastre dessa dimensão.
(Reportagem de Louis Charbonneau)

Por Reuters, reuters.com, Atualizado: 22/1/2010 18:21

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Solução pro caso Zelaya?

República Dominicana e Lobo chegam a acordo de asilo a Zelaya

SANTO DOMINGO (Reuters) - O governo eleito de Honduras, que assumirá na próxima semana, e a República Dominicana chegaram a um acordo nesta quarta-feira para que o presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya, se abrigue no país caribenho após a posse das novas autoridades.

Segundo o acordo entre o presidente eleito, Porfirio Lobo, que assumirá em 27 de janeiro, e o mandatário dominicano, Leonel Fernández, Zelaya e sua família poderão sair de Honduras com um salvo-conduto e viajar à República Dominicana junto a Fernández na qualidade de hóspedes.

"Se estabelece o acordo de que o presidente José Manuel Zelaya, seus familiares e os integrantes de seu círculo íntimo poderão sair em direção à República Dominicana no próximo 27 de janeiro de 2010 na qualidade de hóspedes desta nação irmã", segundo o documento assinado por Lobo e Fernández.
Fernández disse, depois de se reunir com Lobo no Palácio do Governo, que as negociações começaram há mais de um mês, que Zelaya as conhecia e estava ciente do acordo assinado.

"Aqui estão todos os ex-candidatos presidenciais, aqui estão as principais forças políticas de Honduras, todos os partidos políticos e se o presidente Zelaya também estiver de acordo, então entendemos que desde a República Dominicana devemos contribuir para que Honduras tenha paz", disse Fernández após o encontro com Lobo.

Contudo, Zelaya disse que estudaria a proposta. No fim de semana, o presidente deposto havia dito que decidiria no fim de janeiro se permanecerá no país ou se solicitará asilo para abandoná-lo.
Zelaya está abrigado desde o fim de setembro na embaixada brasileira em Tegucigalpa depois de voltar clandestinamente a Honduras. Ele foi tirado do poder, expulso do país e levado para a Costa Rica em 28 de junho do ano passado.

Lobo foi eleito em 29 de novembro, uma eleição que muitos países não reconhecem porque foi organizada pelo governo de facto de Roberto Micheletti, que se nega a deixar o poder antes da posse do mandatário eleito.

Zelaya tem uma ordem de prisão contra ele por supostamente ter violado a Constituição ao tentar realizar um referendo que abriria caminho para sua reeleição presidencial, mesmo depois de ter sido proibido por um juiz.

(Reportagem de Manuel Jiménez)

Por Reuters, reuters.com, Atualizado: 20/1/2010 21:30

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Um dos piores desastres jpa enfrentados pela humanidade

UA mobilizam tropas e ajuda humanitária ganha força no Haiti


EUA mobilizam tropas e ajuda humanitária ganha força no Haiti


REUTERS

Por Tom Brown e Joseph Guyler Delva

PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Helicópteros Black Hawk dos Estados Unidos pousaram nesta terça-feira no terreno do devastado Palácio Presidencial haitiano para desembarcar tropas e suprimentos, enquanto uma enorme operação humanitária para ajudar as vítimas do terremoto de terça-feira passada finalmente ganhava um ritmo mais acelerado.
Uma vez em terra, os soldados se mobilizaram para proteger o vizinho Hospital Geral, cujos funcionários estão sobrecarregados pelo enorme número de feridos graves. Vendo o desembarque, sobreviventes acampados no parque em frente ao palácio correram até as cercas metálicas do local para observar e implorar alimentos.
Foi a mobilização mais visível e, talvez, a mais importante até agora dos militares dos Estados Unidos, envolvidos nos esforços internacionais para ajudar milhões de haitianos que ficaram feridos ou desabrigados por causa do tremor de magnitude 7,0.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, principal crítico de Washington na América Latina na atualidade, acusou os EUA de ocuparem o Haiti sob pretexto de prestarem ajuda.
O comandante das forças norte-americanas no Haiti, general Ken Keen, disse que o principal objetivo das tropas é prestar assistência humanitária e entregar água e comida, mas que também há um elemento de segurança na operação.
Vendo o desembarque das tropas, o sobrevivente Gille Frantz disse: "Sabemos que o mundo quer nos ajudar, mas já faz oito dias (na verdade, sete) e não vi nenhuma comida ou água para a minha família."
Uma multidão de haitianos também se aglomerava em frente à embaixada dos Estados Unidos, nas imediações do Batalhão Brasileiro (Brabatt). Mulheres com crianças de colo se escoravam sobre malas em uma fila que parecia não ter fim.
As portas da embaixada estavam fechadas, e alguns soldados guardavam o prédio. Havia ambulantes em volta vendendo água e batatas. Ninguém reclamava. Havia apenas o silêncio da espera.
"Essas pessoas estão tentando ir para os Estados Unidos. Como tem muitos americanos aqui, elas acham que têm uma chance de viajar pra lá", disse à Reuters o soldado brasileiro Ivan Santos ao passar de carro em frente à embaixada, um prédio grande, marrom, intocado pelo terremoto.
Soldados se dirigiram para outras cidades devastadas fora da capital, como Leogane no oeste e Jacmel na costa sul, para patrulhar e coordenar pontos de distribuição de ajuda, disse o vice-comandante das forças norte-americanas no Haiti, major-general Dan Allyn, a jornalistas em entrevista coletiva.

SAQUEADORES À SOLTA

Para tentar acelerar a distribuição de ajuda e desestimular os saques e a violência, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou por unanimidade o envio temporário de 2.000 soldados e 1.500 policiais estrangeiros.
Dessa forma, o contingente total da missão de paz da ONU comandada pelo Brasil, conhecida como Minustah, subirá para 12.651, em relação ao nível atual de cerca de 9.000.
Mais de 11 mil militares dos EUA estão no país, em navios na costa ou a caminho, e o presidente haitiano, René Préval, diz que as tropas dos EUA ajudarão as forças de paz da ONU a impor a ordem nas ruas cada vez mais caóticas da capital.
O chefe da polícia local, Mario Andresol, disse que sua dilapidada força precisa da ajuda do contingente da ONU para preservar a ordem pública, e lembrou que 4.000 criminosos escaparam de prisões destruídas.
"Ontem (segunda-feira), no centro da cidade, os saqueadores simplesmente superaram em número os meus rapazes. Eles não conseguiram controlá-los", disse Andresol à Reuters.
Funcionários da ONU dizem que a situação de segurança não tem impedido a distribuição de alimentos para 270 mil haitianos até agora, e que outros milhares vão se beneficiar nos próximos dias.
As autoridades haitianas estimam que 100 mil a 200 mil pessoas tenham morrido no terremoto. Pelo menos 75 mil já foram enterradas em valas comuns. Em torno de 52 equipes de resgate do mundo todo correm contra o tempo para tentar retirar sobreviventes dos escombros, hipótese que fica mais improvável a cada dia. Até agora, 90 pessoas foram salvas com vida, sendo duas na segunda-feira.

AMEAÇA SANITÁRIA

Equipes médicas continuam chegando a Porto Príncipe para montar hospitais móveis, mas dizem estar sobrecarregadas pelo número de pacientes e alertam que há grave ameaça de tétano e gangrena entre os feridos, além da possibilidade de surtos de sarampo, meningite e outras doenças contagiosas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que há pelo menos 13 hospitais em funcionamento em Porto Príncipe e arredores, e que está trazendo suprimentos emergenciais para atender 120 mil pessoas no próximo mês.
"Ainda não passamos a fase da emergência, mas estamos começando a olhar em longo prazo", disse Margaret Aguirre, da entidade International Medical Corps, cujos funcionários já ajudaram a realizar 150 amputações até agora.
"Há risco de cólera e tétano, e uma enorme necessidade de unidades médicas móveis", disse ela à Reuters em Porto Príncipe.
Aids, tuberculose e malária são comuns no Haiti, muitas crianças são desnutridas, e a falta de higiene já era um problema mesmo antes do terremoto no país, o mais pobre das Américas.
Sob proteção das tropas dos EUA, água, comida e outros suprimentos começam a chegar com mais regularidade ao congestionado aeroporto local, que está sob controle norte-americano.
Oficiais militares dos EUA esperam reabrir o devastado porto marítimo local dentro de dois ou três dias, mas por enquanto dependem do lançamento de mantimentos por ar aos sobreviventes instalados em acampamentos improvisados.
O Programa Mundial de Alimentos da ONU disse que até a noite de segunda-feira 270 mil pessoas haviam recebido assistência alimentar.
A entidade afirmou que pretende despachar 10 milhões de porções de alimentos prontos para o consumo ao longo da próxima semana, suficiente para alimentar meio milhão de pessoas três vezes ao dia nesse período.
Embora alguns mercados a céu aberto tenham voltado a vender frutas, legumes, carvão, frango e porco, dezenas de milhares de sobreviventes em toda a cidade ainda imploram por ajuda.
O preço dos combustíveis dobrou, e há longas filas em frente a postos de gasolina, formadas por carros, motos e pedestres com galões. A polícia patrulha alguns dos postos.
Líderes mundiais prometem enormes quantias para ajudar na reconstrução do Haiti, e Préval fez um apelo para que as doações se concentrem não só na ajuda imediata, mas também no desenvolvimento de longo prazo.

(Reportagem adicional de Carlos Barria, Andrew Cawthorne, Catherine Bremer e Natuza Nery, em Porto Príncipe, e de Stephanie Nebehay, em Genebra)]

Por Reuters, reuters.com, Atualizado: 19/1/2010 20:39



Dá vontade de ir lá ajudar, mesmo! Situação mais que caótica essa! Aqui no Canadá está bem comum encontrar voluntários que estão arrecadando dinheiro nas ruas pra enviar como donativo ao Haiti. Não dá nem pra imaginar como que deve ser possível conseguir sobreviver na situação que o país está passando e, considerando a condição de infraestrutura e saúde que a nação dispõe, pode ser que agora que o pior está começando. Já dei uma pequena contribuição e espero conseguir ajudar mais, é o que dá pra fazer por hora longe do Brasil. Quem puder, ajude!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Situação caótica no Haiti

Haiti diz que 200 mil podem ter morrido em tremor; tensão cresce

Por Catherine Bremer e Andrew Cawthorne

PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - As tensões entre os desesperados haitianos que esperam por ajuda internacional e alimentos são crescentes dias depois de um terremoto que, segundo autoridades do país, pode ter matado cerca de 200 mil pessoas.
O abalado governo do Haiti deu aos Estados Unidos o controle de seu principal aeroporto para organizar voos de ajuda humanitária que chegam de todo o mundo e acelerar o auxílio à empobrecida nação caribenha.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, vai neste sábado ao Haiti para se encontrar com o presidente local, René Préval, no aeroporto. O plano dela é levar suprimentos e voltar com norte-americanos forçados a abandonar suas casas.
"Também vamos transmitir muito diretamente e pessoalmente ao povo haitiano nosso resoluto apoio a longo prazo, solidariedade e compaixão", afirmou Hillary.
Caminhões lotados de cadáveres estão levando corpos para valas comuns cavadas às pressas fora da capital, mas milhares de corpos ainda estão sob os escombros.
"Até agora já coletamos cerca de 50 mil corpos", afirmou à Reuters o ministro do Interior, Paul Antoine Bien-Aime. "Antecipamos que haverá entre 100 mil e 200 mil mortos no total, embora nunca saibamos o número exato."
Cerca de 40 mil corpos foram enterrados em valas comuns, disse o secretário de Estado para Segurança Pública, Aramick Louis.
Se o número de mortos for mesmo o estimado pelas autoridades, o tremor de magnitude 7 que atingiu o país na terça-feira e destruiu grande parte da capital pode se tornar um dos dez mais devastadores da história.
O ministro da Saúde, Alex Larsen, disse à Reuters que três quartos de Porto Príncipe terão de ser reconstruídos.
Agora, bandos de saqueadores começaram a pilhar sobreviventes que vivem em acampamentos provisórios nas ruas cobertas com destroços e corpos em decomposição, enquanto tremores secundários agitam a montanhosa região.
Autoridades reportaram saques e crescente revolta entre os sobreviventes, desesperados com a demora na assistência. Enquanto isso, os Estados Unidos e outras nações correm para levar comida, água e medicamentos por meio de um aeroporto abarrotado, um porto destruído e estradas cheias de escombros.

LUTA POR COMIDA

Moradores famintos brigam entre si por sacos de comida entregados por caminhões da ONU (Organização das Nações Unidas) no centro de Porto Príncipe.
Uma importante autoridade da ONU alertou que a fome vai aumentar os problemas se a ajuda não chegar prontamente, embora a situação da lei e da ordem permaneça sob controle "por enquanto".
"Houve alguns incidentes nos quais as pessoas estavam saqueando e brigando por comida. Eles estão desesperados, estão há três dias sem comida ou qualquer assistência", afirmou o sub-secretário-geral da ONU para a manutenção da paz, Alain Le Roy, ao programa "The PBS NewsHour".
"Temos de nos certificar que a situação não se deteriore, mas para isso nós precisamos muito assegurar que a ajuda está chegando o mais rápido possível, para que as pessoas que estão precisando desesperadamente de comida e remédios os tenham o quanto antes."
A missão da ONU responsável pela segurança do Haiti, chefiada pelo Brasil, perdeu pelo menos 36 de seus 9.000 membros quando seu quartel-general desabou. As duas maiores autoridades da missão estão desaparecidas.
O enfraquecido governo haitiano não está em condições melhores para lidar com a crise. O tremor destruiu o palácio presidencial e derrubou as comunicações e a energia elétrica. Préval e o primeiro-ministro, Jean-Max Bellerive, estão vivendo e trabalhando na sede da polícia judicial.
"Eu não tenho uma casa, eu não tenho um telefone. Este é o meu palácio agora", afirmou o presidente em entrevista à Reuters.
Temos de assegurar que haja gasolina disponível para as empresas de telefonia celular e para os caminhões que estão carregando os corpos. Os hospitais estão cheios", acrescentou.

PROMESSA NORTE-AMERICANA

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que prometeu uma quantia inicial de 100 milhões de dólares para ajudar o país, afirmou que os norte-americanos farão o que for preciso para salvar vidas e colocar o Haiti em pé novamente. "A escala da devastação é extraordinária... e as perdas são desoladoras", afirmou Obama da Casa Branca.
Obama disse que os Estados Unidos, o Brasil, o México, o Canadá, a França, a Colômbia, a Rússia, o Japão, a Grã-Bretanha e outros países conseguiram enviar pessoas e mantimentos. Enquanto o auxílio chega, a Casa Branca espera que uma melhora na logística possa aperfeiçoar e acelerar os esforços.
Aviões e navios chegaram com equipes de resgate, cães farejadores, tendas, equipamentos para purificação de água, comida, médicos e equipes de telecomunicação, mas enfrentaram um gargalo no pequeno aeroporto.
O controle de tráfego aéreo, prejudicado pelos danos na torre do aeroporto, agora será feito pelos militares norte-americanos, com apoio de um porta-aviões nuclear.
O USS Carl Vinson, com 19 helicópteros, chegou ao Haiti na sexta-feira, abrindo um segundo e significativo canal para levar ajuda à nação. Helicópteros da marinha começaram a levar água para o país e pessoas feridas a um hospital improvisado perto do aeroporto.
Os militares norte-americanos calculavam ter cerca de 1.000 soldados no Haiti na sexta-feira, e milhares mais em navios no mar. O total poderá chegar a 10.000 na segunda-feira.

SEM ÁGUA, SEM SUPLEMENTOS

A Organização Pan-Americana de Saúde afirmou que pelo menos oito hospitais e postos de saúde em Porto Príncipe desabaram ou tinham danos suficientes para não funcionar.
"Não temos suprimentos. Precisamos de luvas cirúrgicas, antibióticos, desinfetantes", afirmou um médico, Jean Dieudonne Occelien. "Não temos nada. Nem água. Temos crianças com bocas secas e não temos água para dar a elas."
A polícia é raramente vista nas ruas e, embora soldados brasileiros da missão da ONU continuem patrulhando, há relatos de pessoas revirando lixos, saqueando e ao menos uma informação de tiros dados no centro de Porto Príncipe na sexta-feira.
Em um mercado que desabou, muitas pessoas subiram nos escombros para buscar comida embaixo deles. Perto da favela Cité Soleil, moradores desesperados se juntaram em volta de um encanamento rompido para beber água ou encher baldes.
Sobreviventes vestidos com farrapos estendem seus braços a repórteres pela cidade, implorando por comida e água.

(Reportagem de Joseph Guyler Delva em Port-au-Prince, Patrick Worsnip na ONU, Phil Stewart, Andrew Quinn e John Crawley em Washington)

Por Reuters, reuters.com, Atualizado: 16/1/2010 12:55